Michael Erloff, alemão, defende o estabelecimento de um novo campo no design, ao qual denominou non-intentional design (design não-intencional). Longe de ser uma excentricidade, a proposta é aprofundar a visao a respeito das soluçoes que encontramos no dia-a-dia para problemas corriqueiros por meio da aplicação da nossa capacidade criativa e transformadora em objetos que podem ou não ter alguma utilidade no momento atual.
Quantos de nós já não colocaram uma flor em uma garrafa com água, improvisando dessa forma um vaso? Certamente, você já teve contato com muitos outros exemplos semelhantes a esse. O trabalho de Michael Erloff vai além: trata do uso de objetos, mas também do uso do espaço (citando o exemplo de uma festa que foi realizada debaixo de uma ponte). Cita, ainda, as possíveis implicações ecológicas e econômicas, uma vez que o DNI visa fundamentalmente ao reaproveitamento.
A editora DAAD publicou, em 2005, o livro Non-Inyrntional Design, coletânea de fotos de Erloff. Além desses exemplos, traz ainda um manifesto contendo os princípios e motivações do DNI, que transcrevo abaixo:
DESIGN NÃO INTENCIONAL - PRINCÍPIOS
1) Conversão reversível: um objeto utilizado, temporária ou permanentemente, em um novo contexto no qual, no entanto, nem o estado nem a função original são perdidas (pote de geléia como porta-lápis).
2) Conversão irreversível: a nova aplicação deixa marcas permanentes (garrafa como candelabro) ou o objeto original fica permanentemente alterado (frasco com tampa de rosca perfurado e usado como açucareiro).
3) Quase todos os usos implicam multi-funcionalidade.
4) Mudança de localização: as coisas são retiradas de seus locais de uso originais (tijolos utilizados para sustentar prateleiras de estante) ou, ao contrário, um lugar passa a servir a novas funções (festa realizada debaixo de uma ponte).
MOTIVAÇOES DO DNI:
1) Fazer da necessidade uma virtude: soluções de emergência, arranjos provisórios, improvisações (pires utilizado como cinzeiro).
2) Inexistência, no mercado, de algo que se adeqüe a um fim determinado (baralho utilizado como calço de mesa).
3) Busca por alternativas econômicas a produtos que podem ser comprados novos (estrutura de cama feita com cavaletes de madeira)
4) Reutilização de objetos a serem descartados ou já utilizados, por motivos ecológicos ou econômicos (cabide ou garfo como antena de rádio) ou simplesmente por diversão (lata vazia utilizada como bola de futebol).
5) Redução de esforço ou de trajetória por comodidade (pires utilizado como cinzeiro).
6) Otimização de função (cadeira como guarda-roupa ou escada).
(Michael Erloff, KISD - Colônia)
Certamente, essa capacidade criativa não é exclusividade dos alemães. Nós, brasileiros, somos naturalmente inovadores. Para nós, esse tipo de design é um tema certamente relevante.
Você tem exemplos de criações de design não-intencional? Mande fotos de suas criações para a nossa caixa-postal!