Mashups – Criatividade e Re-criação

Já faz algum tempo que eu queria escrever sobre os chamados mashups, uma forma de trabalhar com diferentes fontes para criar algo completamente novo.  Aqui, trato do lado criativo da questão. Se alguém estiver interessado em olhar o mesmo tema sob a perspectiva da inovação, pode ler em breve, assim que for publicado no blog INOVEIRO.

Os mashups são trabalhos baseados em outras obras, com a finalidade de criar algo novo. Os populares remixes e as versões funk estão nesse pacote, assim como outras criações musicais, vídeos, desenhos, aplicações web etc.

A internet é um riquíssimo repositório deles. Em qualquer página de pesquisa, há dezenas e dezenas de respostas para a palavra, dos mais variados tipos.  Mas o que torna a coisa realmente interessante é o possibilidade de criar coisas incrivelmente novas a partir daquilo que você já conhece bem.  Um exemplo interessante para ilustrar é a versão criada a partir da música “Gold Digger”, de Kayne West, unida à 5a. sinfonia de Beethoven. O resultado pode ser conferido aqui.

Bom, mas o que pode haver de tão encantador em se pegar produções próprias ou de terceiros para fazer algo novo? TUDO.

Em primeiro lugar, os mashups criam mais facetas de uma ou mais obras existentes. Isso permite a constituição de uma nova forma de experiência com o público: talvez uma obra como uma sinfonia passe a ser mais interessante para fãs de hip-hop se apresentada sob uma nova forma. Além disso, são novos segmentos que podem até resultar em novas formas de aproveitamento econômico e de explorar a capacidade de criação dos artistas envolvidos.

Em segundo lugar, toda forma de diálogo que resulte em algo novo contribui, de certa maneira, para alargar os horizontes criativos. Não só dos artistas, mas também dos programadores, dos técnicos que vão editar e finalizar as novas obras, dos advogados e legisladores que vão ter de discutir as novas práticas e como essas coisas se relacionam com os direitos autorais e a propriedade intelectual e muitos outros. Embora o argumento esteja focado na perspectiva da obra digital, imagine quantas novas formas de expressão, talvez até novas tecnologias, serão necessárias para viabilizar mashups de elementos bi e tridimensionais, ou de elementos tangíveis e intangíveis que constituam algo novo!

Em terceiro lugar, imaginem a constituição de novas formas de criação coletiva: ao invés de artistas se reunirem para a confecção de uma obra, eles simplesmente pegam obras antigas e as “submetem” a múltiplos mashups, levando-as à sublimação ou mesmo à total descaracterização. Parece tentador.

Em nenhum momento faço apologia ao desrespeito dos direitos de propriedade intelectual. Com tanto material disponibilizado na internet por meio da licença creative commons e tanto material bom em domínio público, torna-se desnecessário ferir os direitos autorais. Aliás, o que você acha de disponibilizar parte das suas criações para mashups?

Para dar um exemplo muito bom de criatividade e capacidade, vou falar de uma criação do DJ EarWorm, um dos mais badalados mashups dos últimos meses: o United States of Pop 2008. O DJ fez um mashup – em áudio e vídeo – unindo as 25 músicas do topo da parada da BillBoard. O resultado pode ser visto aqui.

Mas, para concluir, trago a questão “brazuca” da coisa: com a nossa riqueza inestimável de influências, ritmos e tradições, temos material suficiente para criar toneladas de mashups. A miscigenação e as diferentes imigrações criaram essa rica fonte para trabalhos criativos individuais  e coletivos. Os artistas brasileiros já trazem no DNA o resultado de tantos “mashups genéticos” que certamente estamos em vantagem nas discussões relacionadas à criação por meio desse processo.

Uma resposta para “Mashups – Criatividade e Re-criação”

  1. E-fãs: Procura-se « Consumo e Pensamento Disse:

    [...] exemplos são inúmeros, desde os mashups, os fanfilms produzidos no mundo todo (inclusive aqui no Brasil), até as mais rudimentares formas [...]

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