No último dia 12/08, comemorou-se o Dia Nacional das Artes. Certamente, poucos se lembraram de homenagear a Arte naquela data. Outros tantos não dão importância à arte durante todo o ano, talvez há muitos anos.
Qual a importância de lembrarmos da arte e de comemorarmos o seu dia?
Certamente, temos artistas entre nós: poetas, fotógrafos, cantores, músicos, escritores… Mas não concebemos que sejam “artistas”: preferimos acreditar que são advogados, administradores, médicos. Ledo engano.
Desde a antiguidade, a Arte tem sido tratada como uma atividade ligada às emoções e aos sentimentos. Por acaso, algum de vocês tem a coragem de afirmar que não tem sentimentos? No caso contrário, podemos assumir, inequivocamente, que cada um de nós é um artista, ainda que tenha vergonha de se expressar, ainda que negligencie os seus próprios talentos. Você pode até desprezar a sua “semente de genialidade”, mas ela continua aí. À espreita, como um predador, pronta para germinar, criar galhos, dar frutos.
Qual de vocês tem coragem de, agora mesmo, se levantar e cantar, declamar, dançar? Poucos, talvez nenhum. Porque tivemos, por toda a vida, que acatar ordens como “cale-se”, “aguarde a sua vez”, “não faça barulho”. Também ouvimos palavras cruéis como “você não tem talento”, “isso está horrível”, “está mal feito”.
A Arte é maior que a censura. Ela se cala, mas não desaparece. E mesmo quando não há incentivos, não há recursos, não há espaço, ela surge, assim como surge uma planta em meio ao concreto das calçadas.
É por isso que eu desejo que cada um de vocês redescubra o seu talento artístico hoje mesmo. E não tenha medo de expressa-lo. À noite, no aconchego do lar, trate de cantar, dançar, declamar. Vá amanhã a um museu, pendure uma fotografia na sua sala de estar, dê uma moeda para o violinista que toca na rua.
Você precisa estudar pelo menos QUINZE anos para se tornar advogado, médico, engenheiro. Mas certamente, antes disso, já desenhava. Resgate o seu talento artístico e comemore, tardiamente, o dia Nacional das Artes.